A panturrilha além da estética
Aqui abordamos a importância desse grupo muscular na saúde do indivíduo.
Infinito Movimento
1/14/20262 min read
Na prática da musculação, é comum observarmos uma dedicação desproporcional aos grandes grupamentos musculares do tronco e das coxas, enquanto as panturrilhas são deixadas para o final do treino, com baixo volume e intensidade. Entretanto, sob a ótica da fisiologia humana e da saúde, as panturrilhas desempenham um papel vital que transcende a simetria muscular. Elas são o motor do retorno venoso.
Diferente do sistema arterial, onde o coração atua como uma bomba de alta pressão para distribuir o sangue, o sistema venoso nas extremidades inferiores opera contra a gravidade e sob baixa pressão. O principal mecanismo que permite o retorno desse sangue ao coração é a “bomba muscular” da panturrilha.
Quando os músculos gastrocnêmios e o sóleo se contraem, eles comprimem as veias profundas, impulsionando o sangue para cima. As válvulas venosas impedem o refluxo (o "sangue descer"). Sem uma panturrilha forte e funcional, ocorre a estase venosa, aumentando a pressão hidrostática nas pernas e predispondo o indivíduo a edemas, varizes e, em casos graves, à Trombose Venosa Profunda (TVP).
Estudos indicam que a eficiência dessa "bomba periférica" está diretamente correlacionada com o débito cardíaco e a regulação da pressão arterial sistêmica. Uma musculatura de panturrilha atrofiada ou fraca exige que o coração trabalhe com maior sobrecarga para manter a circulação eficiente. Em idosos, a sarcopenia (perda de massa muscular) nesse grupamento está associada à instabilidade hemodinâmica e maior risco de síncopes ortostáticas (desmaios ao levantar).
Abordando o ponto de vista biomecânico, a panturrilha é o principal propulsor da marcha humana. Ela armazena energia elástica no tendão de Aquiles e a libera na fase de propulsão. Além disso, os músculos da panturrilha são fundamentais para o controle postural fino. O fortalecimento dessa musculatura é uma estratégia primária na prevenção de quedas e na manutenção da autonomia funcional, especialmente em pessoas que passam muito tempo sentadas ou em pé, onde a circulação fica comprometida.
Treinar panturrilhas não deve ser um apêndice do treino de pernas, mas uma prioridade na saúde pública e performance. Estimular esse grupamento com a carga e a amplitude corretas é garantir que o seu "segundo coração" tenha força suficiente para manter seu sistema circulatório em equilíbrio e sua biomecânica preservada.
E se por ventura ainda tem dúvidas do que uma panturrilha bem treinada pode mudar na sua vida, basta entrar em contato com a Infinito Movimento.
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Referências bibliográficas e Estudos científicos mencionados:
O'BRIEN, J. G., et al. (2017). The skeletal muscle pump: A mechanical analysis of the human calf muscle. Journal of Biomechanics, 54, 36-42.
URITANI, D., et al. (2014). The relationship between calf muscle strength and physical performance in community-dwelling elderly. Journal of Physical Therapy Science, 26(12), 1903-1906.
SOCHACKA-TATARA, E., et al. (2020). The role of calf muscle pump in the prevention of venous insufficiency. International Journal of Environmental Research and Public Health, 17(22).
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